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| Histórias de um suicida psicossomático |
Ler é a fonte do pensar
O ser humano tem uma capacidade absurda de imaginar. Nós imaginamos uma vida, planejamos carreiras, sonhamos com o futuro e devemos tudo isso à nossa cultura literária. São os livros que nos dão essa curiosidade de conhecer o desconhecido, de atrair o imaginário para o real. O homem é capaz de voar sem asas, viajar sem pagar uma passagem aérea, apenas fechando os olhos e indo ao fundo da imaginação, consultando todos os estágios da criatividade. O texto do Guiomar de Grammon, “Ler devia ser proibido”, retrata o reconhecimento do homem em si através da leitura. O autor diz em seu texto que o homem, ao ler, desperta para o mundo real, neste mesmo, em sátira, ele diz que o mundo do escuro intelecto seria muito mais vantajoso, pois não precisaríamos viver sabendo das atrocidades que nos rodeiam, apenas precisávamos acordar, servir e voltar à cama. O que seria melhor: viver de olhos abertos, ou viver sem abrir os olhos? Essa é a questão crucial do seu texto. A leitura traz a independência, quem lê não precisa de desculpas, muito menos de verdades, precisa apenas de uma boa dose de liberdade para expandir seus pensamentos, veiculando tudo que é possível e não possível à credulidade humana. O acontecer independe do fato de existir ou não, é como uma porta que está fechada com a chave para o lado de dentro, você só consegue abrir se for inteligente o bastante para saber como chegar ao outro lado, e para isso é preciso pensar. Pensar é um verbo que não pode ser conjugado por todos, nem por muitos. É um verbo que se destaca perante aqueles que têm o desenvolvimento crucial da imaginação. Qualquer pessoa pode alterar um curso tomado pelas obras da vida. Todos que pensam, lêem, mas nem todos que lêem, pensam. A leitura não deve deixar margem a dúvidas, se você leu e não concordou com, sequer, uma palavra das quais o autor citou, é porque você não entendeu o assunto tratado, seja pela forma como o foi, seja pela sua falta de percepção. Não é preciso concordar com tudo, mas para chegar ao grau de intelecto capaz de saber sobressair sobre a fala do outro, é preciso muita criatividade e domínio do pensar. Ler é obrigatório para aqueles que têm a certeza de que a vida tem muito mais para oferecer do que os nossos olhos podem enxergar. Temos sentidos, e o mais fraco deles é o da visão, que é incrédulo, pois só aceita aquilo que pode registrar. O nosso maior sentido é a esquecida memória, que trabalha sem que percebamos, mas que guarda todas as informações que captamos com toda a nossa bagagem literária e lingüística.
Escrito por Kinhodorian às 20h44
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