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| Histórias de um suicida psicossomático |
Às três da manhã
São três horas da manhã E eu, sem ter o que dormir, Invento o que fazer. Abro a janela, Corro no quarto, Tento de tudo, Mas o tempo passa E o sono não vem.
Fico no aguardo, Esperando uma posição, Do tempo que me corrói, E que me deixa sem solução. As horas se passam, E o meu sono continua longe, Eu tento arriscar, Deito, fecho os olhos, mas não consigo sonhar.
O telefone toca, Um estranho está na linha, Me propõe um jogo, Que eu acerte as perguntas, Ou tire as minhas roupas. Eu aceito o chamado, Começamos o jogo, Ele me pergunta, Eu erro e volto tudo de novo.
Não sei se ele sabe, Mas eu sei como estou, Deitado na cama, Imaginando um sono bom. O jogo termina, Ele chama meu nome, Não sei como ele sabe, Pois nem eu sei tanto.
Agora eu percebo, É uma criança, Que me chama de novo, E me faz jogar um jogo. Agora eu pergunto, E ele responde, Se ele errar, Eu digo o seu nome.
E então ele me disse: “Quero um favor...” Eu perguntei o que era, E ele me disse bem assim: “Senhor que me ouve agora, O que te peço pode ser estranho, Mas não acredita como estou em prantos, Preciso que encontre Uma mulher e um homem, E mostre a ele, Que ela tem dono. Por isso te rogo, Quando a vir de repente, Lembre que eu, Seu filho, Estou sem um dente. Repita pra ela, O que eu lhe falei, Mamãe, chega cedo... Papai vem também.”
Eu concordei, Falei que faria, Mas quando a vi, Não achei, que de repente, Eu acordaria.
Escrito por Kinhodorian às 03h29
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